As ações relativas aos 400 anos das Missões, celebrados em 2026, estão sendo preparadas pela comissão oficial responsável por organizar a programação. Na quarta-feira (27/8), ocorreu a segunda reunião do grupo, coordenado pela Secretaria da Cultura (Sedac) e composto por representantes do poder público estadual, municipal e de diversas entidades da sociedade civil. No encontro, que contou com mais de 30 participantes, foram discutidas propostas de atividades e encaminhadas as próximas etapas para a continuidade do trabalho.
Na abertura da reunião, o secretário da Cultura, Eduardo Loureiro, destacou que “o objetivo da comissão é construir um conjunto de ações com a participação efetiva dos diversos segmentos da sociedade que têm relação com a temática dos 400 anos das Missões. Os protagonistas da história missioneira estão sendo ouvidos e merecerão toda a atenção do governo do Estado, por meio de uma série de obras e eventos”.
O encontro foi conduzido pelo secretário-adjunto da Cultura, Fabiam Thomas. Ele apresentou um panorama das sugestões que, por meio de formulário, as entidades participantes remeteram à Sedac após a primeira reunião da comissão. “Ao todo, 29 entidades enviaram mais de 130 propostas, que envolvem temas como o aprimoramento dos trabalhos da comissão, a melhoria do fluxo das reuniões, o site institucional das celebrações, a programação de ações e algumas demandas específicas pertinentes à secretaria”, informou.
Nos próximos dias, os autores das propostas serão convidados a enviar para a secretaria mais detalhes sobre as ideias, a fim de que a pasta possa avançar nos encaminhamentos. Além disso, Fabiam informou que a Sedac deve divulgar, em breve, o calendário inicial dos 400 anos. Também ficou estabelecido que o grupo realizará reuniões mensais, entre elas algumas de forma presencial, e que passarão a integrar a comissão mais duas entidades: a Fundação Brasil Meu Amor e o Instituto Histórico e Geográfico de São Francisco de Assis.
Proposições
Durante a reunião, foi aberto espaço para manifestação dos participantes. O coordenador técnico da Famurs, Mário Nascimento, defendeu duas propostas: a realização de convite ao Papa Leão XIV para visitar o Estado, por ocasião dos 400 anos das Missões, e a implantação de um centro de interpretação do patrimônio mundial na região. O secretário Loureiro respondeu que ambas as pautas estão sendo tratadas pelo governo do Estado.
Para Ariel Kuaray, da aldeia indígena Tekoa Koenju, de São Miguel das Missões, o trabalho da comissão “é um passo muito importante, pois, pela primeira vez na história, o nosso povo está tendo essa consideração das autoridades. Ao completar 400 anos em que os nossos ancestrais tiveram o primeiro intercâmbio com os não indígenas, é fundamental reafirmar a importância do nosso território”.
Marianita Ortaça, uma das embaixadoras dos 400 anos das Missões, ressaltou: “fico muito feliz que os povos indígenas estejam fazendo parte desse movimento, porque temos o dever de falar da história como ela realmente é. Não inseri-los seria cometer os mesmos erros do nosso passado”. Ainda sobre os povos indígenas, a representante da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Rafaela Printes, informou que a instituição pretende realizar um evento de discussão sobre o papel dos guaranis nesse processo histórico.
Sobre a comissão
Com integrantes designados pelas portarias 77/2025 e 90/2025, da Sedac, a comissão responsável pela organização dos 400 anos das Missões é composta por prefeituras, universidades e instituições de ensino, além da Associação dos Municípios das Missões (AMM/Funmissões), do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Missões, da Arquidiocese de Santa Maria e do Conselho Estadual dos Povos Indígenas. As reuniões da comissão iniciaram em julho, na gestão do secretário Loureiro. Saiba mais na página dos 400 anos das Missões.